sexta-feira, novembro 25, 2005

Guloseimas

O Mário e o Sr. Cura não combinam. Podiam ser de confissões diferentes, mas não. O Mário não vai com o sotaque do genovês. Ontem estalou-lhe o verniz no café central.

Cura: comes que nem um abade e aqui o Cura sou eu! Pecado da gula... meu filho!
Mário: sabe lá o Sr. Cura o que é a gula!
Cura: querem ver qu'o moço me vai ensinar os 7 pecados mortais?
Mário: pois bem, gula... é entrar uma gaja numa sala só com gajos e um deles pensar, "não vai chegar para todos!"
_

Homilia

O Sr. Cura, a propósito das querelas que se avizinham com as campanhas presidenciais, comentou:

- O Jerónimo de Sousa foi o primeiro a entregar as assinaturas para se candidatar às eleições presidenciais. Agora já sabe quem vai votar nele...

O sacristão, sempre pronto a ajudar, acrescentou:

- Durante a recolha de assinaturas, o Francisco Louçã fez saber que o seu objectivo é chegar à primeira volta...

*Isto vai aquecer!

quarta-feira, novembro 23, 2005

Prova Cação

A resposta do António não se fez esperar.

O Cavaco Silva ficou responsável pelo presépio de Boliqueime. Para controlar os custos dispensou o S. José, a Nossa Senhora e o próprio Jesus. Deixou no estábulo o burro, a vaca e a caminha do menino, mas anda intrigado com o desaparecimento da palha...
_

terça-feira, novembro 22, 2005

Sondagem

O Mário continua a atazanar o António com as presidenciais. Hoje contou-lhe esta estória.

Mário Soares mascarou-se de Pai Natal e foi para a baixa pombalina auscultar os portugueses.

- Como te chamas miúdo?
- Alberto!
- Toma lá um rebuçado! O teu papá vai votar em quem?
- No Cavaco...
Nisto, o Marocas tira-lhe o rebuçado da mão e diz-lhe:
- Ainda acreditas no Pai Natal?!

*Publico ainda hoje a resposta do António.

Companhia... volver!

A televisão tem uma influência negativa nas condutas, por vezes incentiva a violência. O Mário que o diga, pois ficou com ideias depois de ter visto o abSexo sobre sexo anal.

- Então Mário, o que te aconteceu?
- Eu ontem disse à Etelvina, "tem paciência, vira-te!", e ela virou-se a mim...

*Resultado de um comentário publicado no Humor Negro.

segunda-feira, novembro 21, 2005

Contágio

O Sr. Cura anda em baixo, foi ao médico do Centro de Saúde e as novidades não foram as melhores.

- Com a minha idade tenho de cuidar da minha próstata.
- É um facto, você sofre de uma doença sexual grave!
- Doença sexual?! Qual?
- Abstinência...
_

domingo, novembro 20, 2005

Frente a frente

A abrir a edição de domingo do Calinas.

Cavaco Silva e Mário Soares declinaram o convite para participarem no “Levanta-te e ri!”. Um consegue levantar-se mas não ri, o outro ri mas não se consegue levantar!

*Baseado no 'Cavaco Sic' da tasca da cultura.

Doçaria conventual

Uma receita no Calinas dominical.

Cá na terra fazemos marmelada mas nunca juntamos açúcar... fica muito peganhenta!
_

A força da técnica

No seguimento do post anterior, vou-vos contar algumas peripécias* do Manel com a tecnologia. Como diria o Tino, “Ah alentejano d’um cabrão!”

O Manel montou um ar condicionado em casa mas diz que dá pouca sombra...

A mulher do Manel foi comprar um PC para a filha e perguntaram-lhe se tinha a net em casa. O Manel não percebe porque é que a mulher desconfia que ele tem um caso com a Anete!

No natal passado o Manel quis surpreender a filha e ofereceu-lhe um telemóvel, mas ela nunca se conformou que o pai tivesse colocado rodinhas na sua cómoda.

O Manel foi reclamar à loja que se fartava de atirar o telecomando à televisão e que era raro acertar no botão...

*Já agora contem as vossas!

Bivalve

Toda a costa portuguesa tem bom marisco, é um facto. O que não se sabia era que o Alentejo profundo tinha marisco. Após análise aos hábitos e costumes do alentejano descobriu-se que, devido à desertificação e isolamento, o prato preferido é a... sarapitola*, parente próximo da santola mas com uma só pinça!

*Só faltava esta para ser excomungado!

sábado, novembro 19, 2005

Flashback

O Manel tem aversão às novas tecnologias. Comprou um DVD para a filha e já se arrependeu de o ter feito!

- O teu DVD sempre é melhor do que o leitor de VHS que lá tinhas!
- Isso dizes tu! Demorei 20 minutos a fazer rewind e estava a ver que não rebobinava o DVD...
_

sexta-feira, novembro 18, 2005

Fim-de-semana prolongado

O Mário lá tem as suas razões!

A Função Pública cola as greves aos fins-de-semana para nós a levarmos mais a sério!
_

quinta-feira, novembro 17, 2005

O mais curto conto alentejano

Era uma vez um gajo e uma gaja que nunca se tinham falado.

Ele: vamos?
Ela: vamos!

E eles foram pôr a conversa em dia.

*Outros contos minimalistas na origem das espécies.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Quem sonha esclarece dúvidas!

Hoje tive um sonho estranhísssimo. Definitivamente o meu imaginário anda a brincar comigo... e eu ralado! Acordei a rir e cá na terra ninguém disperdiça diversão ou sombra, qu’o Alentejo não é terra para brincadeiras embora haja quem faça piadas com isso. Fiquem c’o sonho qu’eu vou procurar uma sombra.

Estava eu a dormir vai pr’a umas três horas quando assim de repente, como o vento das searas, m’aparece um cenário ainda mais desolador qu’o meu Alentejo. Já tinha visto aquilo na caixa dos Chocaospitos, ou lá como se chamam o raio dos cereais, qu’a Etelvina gosta de comer logo pela manhã. Ela costuma dizer, “quando estou afrontada preciso de recuperar as forças e tu afrontas-me como ninguém”. Exagero o dela, eu até posso ser feio mas não afronto o meu senhorio quando tenho a renda em atraso, quanto mais uma mulher que só d’a olhar fico sem fôlego.
Dizia eu qu’o cenário era o do Chocaospitos, uma savana debaixo d’um sol abrasador.
No cimo d’uma árvore estava um peixe; não era um peixe grande mas era vistoso. O olhar dele era triste, a árvore onde vivia cheirava demasiado a maresia o que afastava o resto dos animais. Fugiam todos d’aquele aroma nauseabundo pelo qu'ele acreditava qu’era o rei da selva. Ainda tentou imitar o som gutural do Tarzan mas as guelras ficaram afónicas. Assim, sozinho, decidiu mudar de vida. “Se estou n’uma árvore é porque voo, devo ser um bacalhau!”.
Primeiro tentou pôr um ovo sem sucesso, depois, imitando um bacalhau aberto e salgado, saltou d’árvore num voo planado que só terminou num choque frontal com um penedo. Tal como nos filmes o peixe levantou-se logo sem vestígios do acidente. “Porra, que tombo!”, e dito isto suspeitou que não seria pássaro ou galináceo. “Maldito destino este que me nega a identidade!”, frase que me recordo de ter lido num trecho qualquer do Será Mago. Olhando-me de frente pergunta, “quem sou eu, quem sou?”.
Um sapo que por ali passava aliviou-me a resposta. Olhou-o e, percebendo a sua angústia, disse-lhe, “mas tu és um peixe! Crouac!”. A objecção foi pronta, “um peixe? Mas eu tenho medo d’água... não sei nadar!”. O sapo entediado com a explicação diz-lhe, “olha, se não sabes o que és então deves ser uma mulher...”. Agora o peixe estava atónito, a boca já não se abria e fechava em movimentos regulares, chegou mesmo a entrar-lhe uma mosca qu'ele não aproveitou. “Não posso ser mulher, as minhas barbatanas não se aguentam em sapatos de salto alto”. Era este o momento qu’o sapo esperava, seria demolidor, cáustico. “Serás homossexual? Tens fetiches com roupa feminina e não sabes o qu'és! Crouac! Crouac!”. O peixe ficou desolado, agora sim tinha uma resposta bem diferente daquela que procurava.
Desesperado, subiu à árvore e deixou-se cair renunciando à sua condição. Passados uns breves instantes acordou e viu qu’apenas tinha algumas escamas partidas. Vendo-se livre do perigo percebeu qu'o seu destino era pregar a igualdade, ele não era diferente dos outros, essa seria a mensagem. Fez-se franciscano e assim andou durante anos a espalhar a palavra.
O sapo, que por alguma estranha razão continuava a meu lado, olha-me e afirma “a ignorância esclarece muitas coisas... Crouac!”. “Pois, mas eu não vou beijar-te! Hás-de morrer sapo!” e acordei com a Etelvina aos berros “não sei quem sou?! Tás-me a chamar o quê?!”. Eu e a minha boca grande... só me falta ser peixe! Por falar nisso, o que faço eu em casa d’Etelvina?
_

domingo, novembro 13, 2005

Mãos largas

O Zacarias continua a filosofar.

- Não há maior prova de amor do que o divórcio, é aí que o marido dá tudo à mulher...
_

Irmandade

O Mário continua com as picardias com o sacerdote.

- O Sr. Cura chamou-nos hoje irmãos, mas ainda não percebi se ele puxou ao meu pai ou à minha mãe, ou se está a fazer-se à herança?
_

sábado, novembro 12, 2005

Viagens de ida e volta

O Sr. Cura, preocupado com as famílias da freguesia, brindou-nos com a seguinte homilia em dia de S. Martinho*.

Fazem-se divórcios como se fazem viagens, ao fim de algum tempo pretende-se mudar de destino. Muitos ainda reclamam na agência, mas o problema é que nos casamentos não se perde bagagem e regressa-se sempre com souvenirs.
Procuram-se destinos cada vez mais exóticos, distintos da nossa realidade. A curiosidade inicial mantém a expectativa, mas após algum tempo a incompatibilidade de culturas acentua-se. E não há sacrifício, escolhem-se bons hotéis, restaurantes e divertimentos. Estica-se a corda do crédito porque o ordenado não cobre tudo. E se no início tudo é encantamento, no final já vem o tédio.
E porquê irmãos? Se escolhessem bem o destino, se soubessem o que vos esperava, se moderassem os vossos gastos, se ponderassem os sovenirs, estou certo que as vossas viagens seriam seguras e demoradas. Mas não! O egoísmo impede-vos de se sacrificarem, de moderarem o vosso ímpeto natural pela descoberta, pelo desconhecido! Pois é, já diz o ditado, da curiosidade morreu o gato, e nestas estórias há sempre gatos e gatas a mais... e agora não se assanhem e vão com Deus!

*Ainda tive esperança de beber jeropiga e castanhas em honra do Senhor, mas só nos dão umas hóstias que se colam ao céu da boca e o vinho não é da freguesia!


Comentário cá d'aldeia:

Pois eu baixei os olhos
de grande arrependimento
que divórcios são aos molhos
que vou no sexto casamento.

O padre cura tem razão
(menos na falta das castanhas)
para pregar este sermão
que hoje o amor são patranhas.

Mas o padre não escapa
aos festejos do s. martinho
pois emborcou à sucapa
uma litrada de vinho.

Solidariedade

Hoje de manhã no Calinas.

O BCP já veio desmentir a notícia que dava como certa a transferência do seu fundo de pensões para a Segurança Social. Segundo um responsável* do banco, "essa notícia só podia ter saído da cabeça de uma mulher!".

*Elemento proeminente da Opus Dei.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Ó... ó... és tão linda!

O Manel anda agarrado à bebida desde qu'o conheço. Tem a alcunha d'o Bagaço embora eu nunca o tenha visto beber algo mais do que vinho. E nisso é exigente, o traçado tem estar cheio até às bordas do copo, só quando entorna é qu'ele se dá por satisfeito.
Quando saí de casa da Etelvina dei com ele junto ao portão e, por gozo confesso, acompanhei-o por alguns metros a ouvi-lo palrar como poucos políticos conseguem*.


Encontra um cão a urinar numa árvore e mete conversa, “então ó isso faz-se ó... ó... não tens de levantar a tampa? E os outros que... que limpem! É... é... é... o tanas ó ah... pois é!”. O cão mira-o de frente e com um latido afasta-se, “ó... ó... olha-me este... ó mau hálito! Vai lavar os dentes... ó... ó... mija na tampa!”.

Uns metros mais à frente pára defronte a uma parede, puxa de um lápis e, num ziguezague que me deixou tonto, desenha uns olhos e uma boca. De seguida, ainda em movimento, pergunta, “cu...cu...com’é que te chamas?”. Rodopia agora sobre o pé esquerdo enquanto assobia “ó és tão linda, ó és!”. Após duas ou três piruetas continua, “como? Bro... bro... bruxa? Mentira! Ó... ó... ora mais depressa s’apanha do que s’agarra! Ah pois é!”, enquanto isto eu mirava-o completamente perplexo. “Mentira!” e nisto pára, olha a parede e num tom ameaçador pergunta, “cu... cu... com’é que sabias o... o... o que te perguntei se não tens orelhas? Hein!”, e satisfeito recomeça a ziguezaguear.

Ao descer o passeio escorrega e cai com grande estrondo. O néctar da garrafa que traz no bolso escorre-lhe agora pelo casaco e calças. O cheiro a vinho rapidamente empesta o ar. “Ena, ena... temos vindima! E o vinho este ano vai ser... vai ser do bom, deste já eu bebi!”.
Nisto aproxima-se o Rui Jorge, cabo da GNR e homem de paciência santa. “Ó... ó... olha-me este, fala-se em vinho e já vem à prova...”. O guarda dá-lhe a mão e ajuda-o a levantar-se.
“Ó... ó sô guarda... pedia-lhe um favor!”, ao que o Rui responde, “e não te estou a ajudar já?”. O Manel volta a insistir, “é... era se podia passar lá por casa qu’eu... qu’eu tenho uma cadela com o cio... e... e... preciso d’uns cães polícia!”.

Aproveitei a confusão pr'a dar de frosques.

*Contei esta estória ao Tino, mas pela reacção do sobrinho percebi qu'isto é um conto infantil...

quarta-feira, novembro 09, 2005

À margem

O Calinas, contribuindo para o estudo da emigração e da exclusão social, analisou a comunidade brasileira em Portugal e concluiu:

Os brasileiros estão a emigrar para Portugal porque já perceberam que aqui o Carnaval dura o ano todo!
_

Daltónico

O Mário não pode ouvir falar do Mantorras, porteiro do Covil. A raiva dele estende-se agora a toda a comunidade negra sem razão aparente. Hoje, ao ler o Calinas sai-se com esta tirada*:

- Se há gajos que mudam de sexo, porque não há gajos que mudam de cor?

*Começo a suspeitar qu’o gajo é racista.

segunda-feira, novembro 07, 2005

Paris c'est toujours Paris!

Recebi hoje uma carta do meu primo Ramiro que está emigrado em França vai pr’a 30 anos. Nunca o conheci, mas ficou-lhe esta vontade de se corresponder com o meu avô e quem sou eu para lhe dizer qu’ele morreu há mais de 5 anos! Para desgosto já lhe basta a mulher que fugiu com um belga, problema maior sabendo-se que o Ramiro nunca gostou de camionistas, reacção natural de um taxista a acentuar a eterna luta de classes.

Querido tio
Desculpe não lhe ter escrito antes mas, a bem dizer, a minha vida continua numa grande aflição. Veja bem, o meu Elias vai fazer 18 anos e continua sem atinar. Vim eu procurar melhor vida e quer o destino que o meu filho não queira ser nada, nem taxista como o pai. À mãe já lhe perdi o rasto há mais de 10 anos, sei que vive para os lados de Bruxelas porque de quando em quando é de lá que envia um envelope com notas enroladas em elásticos a cheirar a perfume caro. A quem posso eu recorrer já que o bairro está em polvorosa? É verdade, isto aqui está pior do que os jogos da distrital quando íamos de cajados receber as visitas.
Voltando aos pendentes, entra-me o puto pela casa a dentro a dizer que queria dinheiro para petardos. Petardos, e eu sem saber que iam fazer festas cá no bairro; sim, porque aqui não conheço ninguém, nem quero, pois quando tentei fiquei sem a carteira e o relógio de bolso que herdei do meu avô, seu pai. Uma bela cebola que ele tinha recebido do espanhol nos tempos do contrabando. Recordo-me que dizia no verso “A mi amor, Filipe” que seria, segundo o espanhol, uma prenda da amada do capitão que jazia morto em Valência no meio de outros; maldita guerra civil que dos despojos fez do espanhol um homem rico.
Não é que me perco e já não conto o que aqui me traz! Pois bem, dei o dinheiro ao Elias porque pensei de mim para mim, assim o puto deixa-se dos grafites; sabe tio, irrita-me ver escrito por todo o lado “Boss Elias”, como se o miúdo tivesse negócio próprio. Um dia até o apanhei a contrabandear farinha, mas ele já se deixou disso que a vida não está para bolos. Bem, ele lá comprou os petardos, coisa em grande pois eu pensei que a festa era coisa que se visse. Vai daqui e ouvi um estoiro, o abalo fez cair o retrato de minha mãe que não conhecia movimento desde que para cá vim morar. Fui à janela da sala, varanda é coisa de rico, e vi o meu táxi a arder. Caramba, anda um homem a arrear a vida toda e é isto que recebe em troca. Desci as escadas e dou com um bando de rapazes a gritar “Boss!” repetidamente. Perguntei-lhes o que se passava e disseram-me que tinham recebido ordens por SMS para atearem fogo a todos os táxis que vissem, pois tinham de destruir os meios de transporte dos ricos. Porra, o táxi é meu e quem lá anda até nem ganha muito que do aspecto fogem os outros. Pus-me a andar feito doido, aflito com o meu Elias, quando o vejo levado em ombros por magrebinos. Lá por o rapaz ter barba, tez bronzeada e se ter convertido ao islamismo no 11 de Setembro, isso não faz dele um marroquino, pois não?
Bem vistas as coisas, e depois de ponderar muito, não posso mentir. Estou orgulhoso do Elias. Já cá estou há 30 anos e foi preciso parir um francês para mostrar a este País que os emigrantes não são merda, coisa que eles têm como certo, basta lembrar-me como me tratam quando digo a parada do táxi, “Tout ça portugais? Merde!”
Espero que esteja tudo bem consigo e com os seus, pois com os meus é o que se vê, grande abraço nesses ossos*,
Ramiro

*Nem podia ele abraçar outra coisa...

Huevos revueltos

A filosofia começa a ser uma realidade nos serões do café.

Zacarias: por oposição à eternidade temos o nada, e quanto ao corpo temos a alma; contraditórios que não se anulam mas que se completam.
Tino: eu, que sou uma nulidade, posso assim ambicionar a eternidade?

_

sábado, novembro 05, 2005

All you in

Este ano também eu fui ao Halloween*; disfarcei-me de Zézé Camarinha o que não me obrigou a usar grandes adereços. A sueca que me abriu a porta deu um grito e disse-me "long time no see!". Na manhã seguinte percebi que a Idalina tinha pintado o cabelo, não fosse o sotaque e nunca tinha percebido!

*Comentado aqui.

Ri-te, ri-te!

A Zulmira não larga as revistas cor-de-rosa, manias que lhe ficaram desde que trabalhou para uma patroa a que ela chamava ‘tia’. Ao folhear a última edição, o Tino saiu-se com esta:

- Grelo aos saltos? Ora aí está uma comichão que faz mal às partes pudibundas e outras quejandas! Ela que venha resfriá-las aqui, pois cá na vila temos pau de loureiro para afoguear esse calor! Na Madeira chamam-lhe espetadas, quem sou eu para negá-lo...

_

sexta-feira, novembro 04, 2005

Água de colónia

"O Ilídio tem tiques reaccionários", costuma dizer o Tino que é um soarista convicto.

Ilídio: Portugal lá entregou Cahora Bassa aos moçambicanos, a única obra de referência alguma vez feita por nós no ultramar; sim, porque o resto foi só gamar!
Tino: foi preciso a diplomacia de um governo socialista para haver concórdia entre os dois povos.
Ilídio: e que concórdia; o Freitas tem tal fixação no Soares que não lhe quer ficar atrás na descolonização...
_

quinta-feira, novembro 03, 2005

Freguês

A política anda cada vez mais promíscua! Aqui na terra a situação não é diferente. O Mário insurgiu-se e com razão:

- Eu depositei esperanças no presidente da junta... mas ele juntou-se com a Idalina e roubou-lhe a freguesia!

*Insinuado no João Scottex.

Ri acho

"Nas relações do executivo camarário com a comunicação social, Rui Rio afirmou que recorrerá, preferencialmente, a mensagens escritas através da publicação no site oficial da Câmara e de difusão pelos media"*, informava o Calinas que padece dos mesmos males dos periódicos dos grandes burgos; é impreciso e por vezes tendencioso. Contudo, no caso do Rui Rio os Media receiam que ele não saiba escrever...

*Observado no Semiramis.

'Cheque' mate

Há muito que o Romeno anda estranho mas hoje foi demais. O Pedro ganhou esta alcunha devido ao corte de cabelo radical, nunca maior do que um tapete de entrada. É agente da PJ há mais de 10 anos e foi destacado por mero acaso para uma investigação em Lisboa.

- Ouve lá Romeno, andas com bicho carpinteiro?
- Não me digas nada, fui dispensado d’uma investigação!
- Então porquê?
- Queres lá tu saber, coisas...
- Conta, homem!
- Olha, mandaram-me à procura d’um tabuleiro de xadrez.
- E encontraste-o?
- Encontrei vários; um em ouro maciço em casa do Isaltino Morais, outro em prata e marfim na casa do Judas, um em platina e diamantes na casa do João Soares...
- Porra, e de que desconfiavas tu?
- Qu’eles não sabiam jogar...

_

Saqueador

Cá na terra confunde-se muito a arte da sedução* com posse, mas não é só nossa a expressão “eu saquei a gaja”, como se uma gaja se pudesse ensacar! Coisas d’uma vila d’interior! Não fosse o filósofo do Zacarias e muitas destas coisas ficavam por se perceber.

Zacarias: seduzir é a arte de ceder ao desejo adormecido do outro!
Tino: podes crer, eu seduzia-a mas a gaja adormeceu!

*Resultou d'uma reflexão babilónica.

quarta-feira, novembro 02, 2005

Mortiço

Dia de finados*, relembrar os mortos qu’ainda conhecemos e os que, bem ou mal, ficaram pr’a história. Cá na terra temos um cemitério que não tem ninguém conhecido já qu’há mais de 50 anos não morre por cá ninguém, vai tudo morrer ao hospital da cidade e por lá ficam qu'a viagem de regresso é muito dolorosa pr’a um morto... O Ti Zé já disse qu’ia morrer ao cemitério, assim como assim depois de morto já não quer ir a lado nenhum. Eu compreendo-o bem, ele nunca foi à cidade e ainda podia morrer antes de tempo só com a ideia de que por lá ficava.
Eu não sei porque se relembram os mortos, se eles ressuscitassem e vissem como isto vai ainda pediam para regressar à tumba. O Salazar suicidava-se, embora só tivesse direito a uma tentativa já qu’o gajo era sovina e não havia de querer gastar duas balas. O Cunhal teria um ataque cardíaco, bastava-lhe ver o arqui-rival Soares em campanha. Na monarquia as coisas não seriam diferentes; se D. Carlos conhecesse o pretendente gritaria por certo “viva a república!”.
O que comemoramos nós afinal? Qu’os gajos estão bem enterrados e ao contrário de Cristo não se dignaram a voltar? Isso prova qu’aquilo deve ser bom ou melhor do qu’isto; afinal ainda há esperança mas, pensando bem, a ideia do regresso d’alguns seria demasiado penoso para mim, só por isso comemoro este dia...

* Comentado aqui!

terça-feira, novembro 01, 2005

Supra sumo

A Zulmira faz os melhores sumos que já bebi. É certo que as frutas são colhidas ali mesmo, no pomar que tem atrás de casa. Mas ela tem um dom, consegue seleccionar as que dão mais sumo, mais não, as que dão o melhor sumo. E depois vem o ritual, ninguém bebe de golo como é costume cá na terra, bebemos como gente fina, devagar, espaçadamente a aproveitar o momento. Por tudo isto fiquei curioso quando vi na televisão esta promoção.

- Power Juice, o espremedor de fruta que o vai deixar sem respiração, não é Tom?
- É Jane, com o Power Juice acabam-se as cozinhas sujas com cascas de frutas e pingos gordorentos.
- Fantástico Tom, tudo isso com esta maravilha?
- Repara, junto estes 2 Kg de maçã com casca e... voilà, um maravilhoso copo com sumo de maçã!
- Surpreendente, 2 kg dão 1 copo concentrado... energia para todo o dia!
- E podes misturar outras coisas, queres ver?
- Claro, estou ansiosa!
- Então... 1 kg de laranjas, 3 batatas, uma cebola e até...
- O quê?
- Uma posta de pescada congelada?
- Congelada?
- Certo, assim evitas usar gelo e a bebida torna-se mais fresca e nutritiva.
- Fantástico, com isso vou deixar de jantar. É tão prático!
- Sim, e só pesa 50Kg, bastam 2 pessoas para a colocarem na bancada.
- Maravilha, mas assim faz-se ginástica também!
- Claro, Power Juice foi pensada para ser saudável em tudo. Basta fazer 2 sumos por dia para perder essa barriguita que tanto te incomoda. Na verdade nem precisas de fazer sumos...
- Incrível Tom, mas onde se arruma este assombro?
- Fácil Jane, como ela só mede de base 50x50 cm por um metro de altura cabe em qualquer dispensa, mesmo ao lado do aspirador!
- Prático Tom, e como se faz a limpeza!
- Jane, ainda bem que perguntas mas a Power Juice não necessita de limpeza. Queremos aproveitar tudo, se não o beberes hoje porque não o aproveitas amanhã?
- Tom, tu pensas em tudo, não é?
- Diz isso à minha mulher... e agora, queres provar?
- Obrigada! Hmmm.... (vira-se para trás) Arrrrrghhhhh!!
- Ainda bem que gostas!
- Tom...
- Sim, Jane!
- Tenho uma espinha na garganta...